O mundo à parte

Apr 06
Eu gosto daquela São Paulo que só aparece depois que tudo fecha…

Eu gosto daquela São Paulo que só aparece depois que tudo fecha…

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Mar 23
O dia hoje foi de decisões. Fiquei eu entre a paixão, a razão e o inevitável disse me disse.

No fim das contas, seja por assumir riscos ou por escolher o caminho supostamente mais seguro, é tudo meu, só meu, das opções às consequências.

O dia hoje foi de decisões. Fiquei eu entre a paixão, a razão e o inevitável disse me disse.

No fim das contas, seja por assumir riscos ou por escolher o caminho supostamente mais seguro, é tudo meu, só meu, das opções às consequências.

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Mar 23
Era sobre isso que eu ia falar agora…

Era sobre isso que eu ia falar agora…

(Source: artpixie)

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Mar 20
O bom da fotografia é a possibilidade de contar uma história que pode ser entendida em qualquer língua.

O bom da fotografia é a possibilidade de contar uma história que pode ser entendida em qualquer língua.

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Mar 09
Acostumada com os textos, eu comecei a achar que São Paulo havia me tirado a inspiração. Até entender que ela só tinha me trazido uma nada leve mudança de foco.

Talvez seja como dizem, que uma imagem vale mais que mil palavras. 

Só sei que as fotos me diminuiram a velocidade nessa cidade em que o tempo parece passar mais rápido.

Agora consigo passar pelos mesmos lugares todo dia e, ainda assim, enxergar sempre algo novo, diferente.

Quem sabe esteja apenas descobrindo um novo eu e, da perda das tais palavras, pelas imagens, consiga encontrar novas histórias a serem contadas…

Acostumada com os textos, eu comecei a achar que São Paulo havia me tirado a inspiração. Até entender que ela só tinha me trazido uma nada leve mudança de foco.

Talvez seja como dizem, que uma imagem vale mais que mil palavras.

Só sei que as fotos me diminuiram a velocidade nessa cidade em que o tempo parece passar mais rápido.

Agora consigo passar pelos mesmos lugares todo dia e, ainda assim, enxergar sempre algo novo, diferente.

Quem sabe esteja apenas descobrindo um novo eu e, da perda das tais palavras, pelas imagens, consiga encontrar novas histórias a serem contadas…

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Jan 23

Trilhas

Uma vez escrevi que os amores se vão e as músicas ficam. Assim como os filmes, as manias adquiridas e compartilhadas. 

O curioso é que nada fica do mesmo jeito. É claro, já que é impossível reproduzir um momento, seja ele de tristeza ou felicidade. Algo no contexto estará diferente, aquele detalhe mínimo que te impedirá de sentir novamente aquela mesma emoção. 

Percebi isso outro dia, quando a música que me devastou ao fim de um relacionamento já não mais me afetava. Podia ouvi-la e entender a tristeza contida na letra, nos acordes, mas ela não conversava mais comigo do mesmo jeito. Ou então eu não a ouvia mais como antes. 

Já passei por isso também com filmes. Tipo Closer, que foi do constrangimento a uma espécie sádica de graça. Eu realmente gostava de ver aquele povo sofrer diante de suas escolhas e erros. Achava fascinante. Talvez mais do que um olhar meramente antropológico permitiria. Era um distanciamento excessivo, quase anestesiado de alguém que não conseguia quase sentir. 

É o que eu defini, a partir de um filme bobo de adolescente, como beber shampoo. É a exposição excessiva a algo que mexe demais com você, algo sensível, especial, até que pare de fazer sentido. Ou que pare de fazer o mesmo sentido. Até que você seja capaz de olhar praquilo e saber que, sim, você entende o que era, mas já deixou de ser. 

As coisas não podem te prender. Nem no tempo, nem no espaço, nem a algo ou a alguém. Sejam elas objetos, músicas, palavras, filmes, pensamentos. Nada. O distanciamento permite perspectiva. E essa é importante para manter a sanidade mental. 

É ver de cima, olhar pra frente e entender que se colocar acima das outras coisas não é sempre egoísta. Assim como priorizar o outro não é necessariamente altruísmo. Equilíbrio, esse lindo, tão difícil de se atingir. 

Mas já fico feliz de ouvir Adele e entender que não, aquilo não é o que eu quero pra mim. 

Às vezes as coisas precisam perder o sentido pra que possam fazer sentido de novo. De outro jeito, sob outro ponto de vista. 

Porque o dia em que você desiste de mudar, de aprender, as coisas deixam de valer a pena. 

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Dec 11

Alquimia

Essa semana estávamos falando sobre equipamentos de cozinha e me mostraram uma torradeira que, juro, parece mágica. Você pode, de verdade, escolher o tom da sua torrada. Aí me mostram o filme pra contar a história da tal torradeira. Coisa linda, sério. Sexy, sabe? Não? Então olha o vídeo.

Essa coisa lenta, cuidadosa, da preparação do pão, subindo e descendo da torradeira, em busca da perfeição, daquele ponto ideal. 

Foi então que parei pra pensar. Quase todos os filmes que envolvem comida são absolutamente sexuais. Logo lembrei de “Como água para chocolate”, em que a protagonista colocava tudo de si em cada receita. Como Sarah Michelle Gellar, em Simplesmente Irresistível, que envolvia todos os que provavam suas receitas em seus sentimentos enquanto as preparava. 

Cozinhar é bem isso. Escolher os ingredientes, pensar em como eles vão se combinar, completar. Definir como tudo vai ser cortado, saber a sequência em que cada coisa é adicionada à mistura, a intensidade com que você precisa mexer tudo. Levar ao fogo, observar como tudo vai mudando, os cheiros, os gostos. Servir o prato, seja só pra você ou pra outras pessoas.

Talvez quase ninguém veja o vídeo como eu vi. Mas juro que essa bendita torradeira me seduziu. E me deu uma vontade louca de cozinhar…

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Nov 06

Com texto

Faz parte do meu dia a dia tentar achar o contexto para que cada conteúdo se torne mais relevante para o público.

Lá atrás, na faculdade, aprendi também que não importa muito o que você diga, mas o que o outro entende. Eu sempre guardei isso muito bem comigo, porque é a mais pura verdade. Não importa o quão bem intencionado você seja com algo que diz ou escreve, alguém pode ouvir ou ler de outro jeito. E aí danou-se.

Aqui eu tendo a me estender mais, explicar as coisas, mas escrevo também em outros cantos e, seja pela limitação de caracteres do meio ou porque simplesmente determinei que algo curto bastaria pra me expressar, às vezes eu me deixo ser mais subjetiva. 

E é curioso ver como as pessoas se comportam com suas interpretações, achando que tudo pode se tornar um diálogo, ou aproveitando um desabafo seu pra assimilar uma catarse pessoal. Acho legal, é óbvio, mas sempre vai aparecer um indesejado que vai ler mais do que deveria, ou encontrar brechas pra desabafar de volta, pra abrir o coração ou sei lá mais o que. 

A questão é que o contexto, o bendito do contexto é subjetivo que só. O meu contexto não é o seu. Então eu posso explicar as coisas o quanto quiser, posso até desenhar, e você nunca vai ver o mesmo que eu. Não tem jeito.

É como alguém achar que é rancor o mais puro desinteresse. Que você não ter vontade de conversar com alguém que foi parte da sua vida durante um tempo, mas depois perdeu o sentido, com quem você não tem mais a menor afinidade, alguém que você não faz questão de ter na sua vida pra nada que seja, possa ser interpretado como mágoa, ódio ou algo semelhante. 

As pessoas querem cagar regras e lições de moral a partir da interpretação que elas têm do que você pode estar sentindo. E abrem o caminho pra que você mude de ideia, veja a luz, entenda que vocês podem ser amigos, porque um dia tiveram algo. E não aceitam que elas simplesmente não te conhecem e não agregam em nada ao que você é ou pretende ser, ou conquistar.

É louco isso.

O quanto as pessoas são prepotentes e umbiguistas, achando que suas suas palavras ou seu silêncio são dedicados a elas. 

Como se o problema delas fosse seu. 

Como se só houvesse um contexto possível.

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Aug 30

UFC Rio

Dia 6 de fevereiro de 2010, o primeiro UFC que assisti com David. Depois, vieram outros tantos. Antes, já carregava mais de 15 anos de paixão pelo esporte na bagagem.

Quando abriram as vendas para o evento no Rio, vi nossa primeira oportunidade de assistir o espetáculo ao vivo. Graças à ajuda da mamãe,e a despeito do péssimo Ingresso.com, conseguimos. Arquibancada norte, lá íamos nós.

Foi uma noite de pouco sono no ônibus de São Paulo ao Rio, chegada antecipada pra pegar os ingressos na bilheteria, uma fila imensa pra entrar, rampas que pareciam levar ao céu pra chegar em nossos lugares, gente que parecia que não ia caber no lugar, comida e bebida bem caras e a experiência mais incrível do mundo.

Quem vê o UFC pela TV não imagina o que é aquilo, porque a transmissão não deixa passar o grito da plateia, a adrenalina absurda que é fazer parte disso, de dar ao atleta por quem você torce uma vantagem sobre o adversário. Estar no UFC é, sem exagero, entrar no octagon com os lutadores, é desequilibrar o confronto. É uma sensação que te transforma e eu não sei se vou conseguir expressar isso em palavras, por mais eloqüentes que elas possam ser.

A emoção começa a borbulhar quando Bruce Buffer nos recepciona, com sua conhecida voz, seu já familiar discurso. Pela primeira vez vi o card preliminar, cujo auge foi garantido pela luta de Paulo Thiago. O lutador, que  pertence ao BOPE, enfrentou um americano que escolheu como trilha para sua entrada o hino dos EUA. Afronta maior, impossível. Pois Thiago entrou com Tropa de Elite e viu todo o HSBC Arena entrar com ele no octagon ao gritar o refrão em uníssono, mostrando que o gringo ia se arrepender pela soberba. E se arrependeu. Foi massacrado por um adversário focado, que só não ganhou com uma finalização por coisa de 30 segundos. O mata-leão estava encaixado, mas o gongo soou antes.

A plateia mostrou que a noite seria a melhor de todas, e que ali era o Brasil contra o mundo. Nós queríamos o UFC.

Enquanto isso, Dana White postava em seu Twitter uma visão parcial do que acontecia. Exaltava os lutadores que não eram brasileiros e chegou a afirmar que nosso país amava Chael Sonnen, lutador abusado que destila preconceito e ofensas contra nosso país e nossos atletas. Pra quem não se lembra, foi ele que quase ganhou do Spider. Dopado, é claro. É um trapaceiro, por que torceríamos por ele?

Mas nós mostraríamos no ringue que White podia falar o que quisesse, nada retrataria nossa noite, ainda tínhamos Minotauro, Shogun e Anderson para brigar pelo Brasil, fora os menos conhecidos, igualmente guerreiros, que honraram o que foi, com certeza, o nosso UFC.

Nunca nossos atletas experimentaram entrar no octagon em vantagem, com gritos e aplausos em vez de vaias. O único brasileiro notadamente querido lá fora é o Fenômeno, Vitor Belfort, que fez seu nome em outras épocas, antes do UFC ser comprado pela Zuffra. De resto, não importa quantas vitórias ou cinturões conquistemos, não somos os favoritos. Afinal, como disse Forrest Griffin, não temos nem água potável aqui, então quem pensamos que somos?

Minotauro entrou precisando de um milagre. Teve só 3 meses pra se preparar, passou um tempão andando de muletas depois de um acidente feio. Aceitou a luta por nós, pela torcida. Sim, torcida. Éramos uma imensa torcida, nada menos que isso. E ele foi um monstro dentro das grades, derrubando Brendon Schaub. Nocaute técnico. “O campeão voltou”, todos cantávamos. Primeiro momento comovente da noite, o agradecimento de Nogueira. Sincero e tocante.

Depois foi a vez de Shogun mostrar a Griffin que sua vitória anterior havia sido, sim, por sorte e calar a boca do americano. Assim como Minotauro, Rua levou sua luta por nocaute técnico. De novo cantamos o refrão “o campeão voltou, o Shogun voltou” e foi lindo ver o sorriso do atleta, quase como um astro, devolvendo à plateia o carinho dedicado. A troca era única.

Lutas teoricamente menos importantes preenchiam o card e a entrega do público era a mesma. O apoio era total aos lutadores que nos representavam e só dava Brasil. O único a perder para um não brasileiro foi Luiz Cane, o Banha.

Por último, o main event, Anderson Silva x Yushin Okiama. A luta era uma revanche, já que o confronto anterior terminou com a desclassificação de Anderson por uma pedalada irregular no rosto do japonês. Spider mostrou domínio incomparável e muita calma ao administrar cada queda do adversário com seus socos e pontapés. Como boa aranha, brincou com o alimento em sua teia antes de devorá-lo, prolongando seu sofrimento e nossa angústia. O cinturão ainda era seu, 10 lutas sem perder. Todos pensavam se haveria atualmente alguém capaz de derrubá-lo. Será que há?

Pela primeira vez vi um UFC sem os comentários e impressões dos “especialistas”.

O HSBC Arena dominado por brasileiros como uma Bombonera, ou um coliseu. Acho a analogia apropriada. A adrenalina era incrível, aplaudir nossos atletas de pé, gritar seus nomes, pressionar os adversários e mostrar quem mandava ali. O UFC foi criado por brasileiros, não importa quem comprou o negócio, quem fez o dinheiro girar. Parabéns, de verdade, aos grandes empresários, mas respeito é bom e, já dizia o sábio, mantém os dentes no lugar.

Royce Gracie, nosso primeiro campeão, gênio, estava lá pra prestigiar a noite em que tantos brasileiros honraram uma iniciativa que começou lá atrás, com regras bem diferentes, em 1993, pela família que melhor representa o Jiu Jitsu no mundo.

Foi lindo. E eu estava lá.

O vídeo abaixo é do comecinho da luta do Anderson Silva, e mostra um pouquinho bem pouquinho do que você não ouve pela transmissão da TV. Gritar com Bruce Buffer… O que falar disso? =´)


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Aug 09

Memórias de cafeína

te quiero con limón

Sábado, dia 30 de julho, eu fiz 30 anos. Bem cabalístico mesmo. 30 anos no dia 30. 

Passei o final de semana no Rio, com a família e alguns amigos. Mas quero falar do pré-aniversário, que passei em Sampa com o namorado.

David, com sua capacidade suprema de ouvir basicamente tudo que eu falo (e isso é praticamente um poder mutante, porque eu falo muito e ele lembra de 97% das coisas), me deu um combo de presentes.

O mais incrível de todos foi um curso de café. 

Coisa de uma semana antes eu comecei a falar muito sobre isso, sobre querer ser tão chata com café quanto as pessoas conseguem ser com vinho, sabe? Então, é um sonho meu. 

E quando ele me contou que eu iria fazer o curso no Coffe Lab, na Vila Madalena, com a Isabella Raposeiras, não consegui parar de quicar.

Depois me perdi na lembrança de quando eu ainda morrida de vontade de beber café e não podia, porque café não era coisa de criança.

Eu devia ter menos de 10 anos e meu avô tinha o hábito de parar no fim do dia pra fazer um cafezinho pra ele e pra minha avó. Era daqueles coados mesmo, de deixar ferver a água, do jeito que hoje eu sei que está errado, mas ainda assim o cheiro me tentava. Tudo que eu queria era que me deixassem provar um pouquinho daquilo.

Até que um dia eu provei e me tornei uma bebedora da café e o cheiro ainda me remete a um mundo perfeito de coisas boas, à saudade do meu avô, e, agora, ao carinho do David.

Meu presente não poderia ter sido melhor…

O café da foto é do Floriana, um café delicioso na Joaquim Floriano. Os baristas de lá disseram que foi feito pra mim e me deixaram escolher o nome. Te quiero con limón. 

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